Rio de Janeiro, 31 de março de 2021

Uma alimentação saudável é uma dieta que ajuda a manter ou melhorar a saúde. Uma dieta saudável fornece ao corpo o essencial da nutrição humana. Alimentação com excesso de calorias e baixo valor nutricional leva à obesidade e outras doenças crônicas não transmissíveis. Quando a alimentação é insuficiente pode causar desnutrição e fome. Segundo a OMS, a alimentação saudável pode ajudar a prevenir 8 milhões de mortes anuais, por doenças como diabetes, câncer e outras doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) causadas pela má-nutrição.

Segundo a FAO, uma em cada quatro pessoas no mundo sofriam de insegurança alimentar grave ou moderada em 2019. No Brasil 36% das pessoas estavam em situação de vulnerabilidade. Segundo o IBGE foi para 4,4% o percentual da população total que declara estar em estado de insegurança alimentar grave, o que representa um aumento de 44% entre 2013 e 2018.O aumento da insegurança alimentar moderada, que é 8% da população, foi de 76%, enquanto os que declaram insuficiência alimentar leve que são 24% da população foi de 62%.

Analisando-se em detalhe a insegurança alimentar, uma questão que merece destaque é a obesidade. O crescimento do número de obesos entre 2003 e 2018 foi de 120%. Entre 2013 e 2019 o crescimento foi de 22%, o que significa um crescimento de 3,5% a.a. em 6 anos. A Pesquisa Nacional de Saúde apontou que o excesso de peso e a obesidade se tornaram mais frequentes na população brasileira entre 2003 e 2019. A pesquisa foi realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da Saúde.

A proporção de obesos na população brasileira aumentou de 12,2% para 26,8% entre 2003 e 2019. No ano passado, 30,2% das mulheres e 22,8% dos homens com 20 anos de idade ou mais tinham índice de massa corpórea (IMC) maior que 30 kg/m2, o que configura obesidade. O excesso de peso, que se dá a partir do IMC 25 kg/m2, também se tornou mais frequente na sociedade brasileira, passando de 43,3% em 2003 para 61,7% em 2019. (Agência Brasil).

O custo de uma dieta mínima como definido pela FAO é de 3 reais por dia e uma dieta saudável custa 11 reais por dia aproximadamente calculada tomando por referência a paridade de dólar. O custo da dieta aumenta à medida que aumenta a qualidade da dieta. A dieta saudável é cara. As pessoas com uma renda baixa terão muita dificuldade em ter acesso a uma dieta saudável. Pobre não pode comprar dieta saudável.

Com a pandemia, o desafio do “novo normal” não é apenas comer mais, mas comer produtos saudáveis e produzidos de forma sustentável. Tem-se um duplo desafio: alimentar de forma saudável e produzir de forma sustentável. De fato, a fome no Brasil e no mundo hoje não é um problema de falta de alimentos mas de acesso.

Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), está convocando governos a promoverem a alimentação saudável em instituições públicas como escolas, creches, lares de idosos, hospitais e presídios.

Segundo a OMS, a alimentação saudável pode ajudar a prevenir 8 milhões de mortes anuais, por doenças como diabetes câncer e outras doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) causadas pela má-nutrição.

Muitas são as políticas públicas que afetam a segurança alimentar que podem ser implantadas para que supere os atuais problemas. A desigualdade de renda no Brasil dificulta a solução por parte dos indivíduos. Distribuição de renda é uma solução. As políticas de transferência de renda são muito importantes durante a epidemia. Os preços dos alimentos estão mais caros. O distanciamento social impede muitas famílias de encontrarem oportunidades que possam aferir renda (emprego e trabalho informal) considerando ainda o alto índice de desemprego e desocupação na economia. 

Entre as várias políticas vale destacar: o programa de alimentação escolar com 30% de alimentos oriundos da agricultura familiar, circuitos curtos de produção, embalagens de alimento com informações nutricionais, etiquetar alimentos, restrições à propaganda de alimentos para públicos vulneráveis. Considerar os subsídios e taxação como elementos de política para incentivar a alimentação saudável. Promoção e educação para uma alimentação saudável. Considerando a atual redução do PIB, a disputa entre os diversos setores da economia pelos recursos do estado se acirra e é necessário ter claro que a crise econômica para ser superada necessita usar esses recursos para sustentar o crescimento e alguns desses investimentos podem ser nessas políticas de distribuição de renda e superação da insegurança alimentar. A pergunta é: como e com quais políticas será possível implementar uma alimentação saudável e sustentável na sociedade?

Convidamos especialistas para debater o tema, confira abaixo os participantes do nosso quinto evento em formato on-line: